Tenho cara de mulek, graças a Deus!!! Um pouquinho inchada pela cachaça é verdade, mas até que estou tinindo para alguém que está nessa vida de boteco há pelo menos dez anos.
Quando digo vida de boteco é desde a época em que era garçom até os dias de pesquisador etílico como hoje. Tive sorte e determinação, saí da casa dos meus pais com quinze anos de idade para entrar nessa vida de botequins, ao contrário do que muitos pensam, não herdei nada a não ser uma bandeja a qual não abri mão. Meus pais eram pessoas bem sucedidas em suas áreas e meu avô seu Tomé, esse sim era "o Cara" grande responsável pelo Braca, dividia o batente com seu sócio Armando que faleceu brutalmente, episódio esse que foi amplamente divulgado na mídia na época.
Fui Garçom, copeiro, caixa, gerente até ser o que sou, e vivi a realidade. Meus companheiros de trabalho sempre foram meus amigos, aprendi junto com eles, bebi muita cachaça na Lapa, na época em que ainda não era modinha. Duro ainda bebia por conta deles na época das vacas magras. Com a morte prematura do Armando e logo em seguida da minha avó, minha familia queria se desfazer do bar, e é ai que eu entro como um mulek maluco e fujo de casa para trabalhar de garçon no Braca, para o desespero de toda a familia.
Não vou ficar aqui me gabando, mas esse mulek aqui foi corajoso de largar todo o conforto que tinha para não deixar uma estória acabar. Até hoje tenho plena consciência de que ainda tenho muito que aprender. Trabalho com afinco em pesquisas na área e muitas vezes não levadas a sério, mas a experiência que ganho já me basta!!!
O que quero passar com isso tudo?? Muita gente se acha entendedor de botequim, todo mundo julga sem ter conhecimento. Imagine o que é administrar um bar como o Braca fazendo de tudo para manter o clima de botecão de bairro. O Braca têm várias tribos: tem os freqüentadores tradicionais que já fazem parte de todo um folclore e que são sem dúvida os grandes responsáveis por essa áurea que ilumina o bar; tem os turistas vindos de todas as partes do mundo e do Brasil nos fins de semana e nas férias e os freqüentadores mais jovens que vão lar tomar choppinho no final da praia. Agradar todo mundo é difícil né?
É claro que recebo críticas – vira e mexe escuto as frases: “o bar tá muito cheio”, “o atendimento tá demorado” ou “cadê a lista de espera”. Já ligaram até para perguntar se o bar tinha ar condicionado e serviço de manobrista. O Braca é um botequim e não um Antiquarius. O público de hoje está acostumado a freqüentar botequins temáticos e padronizados e se sentem no direito de cobrar as mesmas regalias que recebem nestes estabelecimentos, porém, esses mesmos botequins que fracionam as suas porções em balancinhas não oferecem aos seus clientes a qualidade nos produtos que tem um boteco tradicional, pois visam o lucro acima de qualquer coisa . Botequim que é botequim tem garçons que conhece a sua vida e suas preferências só pelo seu olhar, o boteco é uma extensão da sua casa, e é claro tem algumas regras particulares, pois como o grande Moacyr Luz diz “Botequim de bêbado tem dono”. O Braca tenta se adaptar as mudanças, pois tudo na vida evolui, mas sem nunca perder suas raízes e o seu objetivo que é dar sempre o melhor aos seus amigos clientes.
Nenhum comentário:
Postar um comentário